8 de set de 2009

Eu-miséria

1
Cada consequência tem um sabor diferente. Algumas de tão gastas são agudas como ferrugem, se bebe escondendo o impulso de fazer careta. Logo tudo gira. Como poderia não girar? Principiar com o fato: O planeta é redondo, tudo tem mesmo que girar. Com isso, esquece-se ou finge-se esquecer o tudo. Não se apaga, porque nada pode ser apagado, nem poderá, por mais infinita a força de fazê-lo. Então, alimenta-se do resto, e vamos indo, sorrindo e fingindo. Ah, se pudesse apagar não haveria outono, a estação das quedas. Nada teria que cair, nada cairia nem em mim, nem de mim . Por hora, caem meus olhos e perco-me na visão do que tanto quis.
2
Se eu ao menos crê-se em Deus, teria a quem a pedir, mas...
De tão desconfortável que é o balanço de minhas águas, em meu barco, o chão é o abraço de mais aconchego - Raso, largo, firme e gelado. Para eu não esquecer quem sou, ou melhor, que estou. Porque não sou, quem dera eu fosse! A passos curtos eu ando à procurar-me, me jogo na primeira ventania que mude a estação, para que eu posso ser flor e perfumar e não mais perfurar. Acontece tanta sede aqui de ir depressa, que os ventos só ventam miragens, vejo por segundos, sem tempo de alcançar. E volto ao feto, e feto continuo.
3
Extraordinário pode parecer essa dama que veste sorrisos escrachados, sensualidade, silêncios, que me acompanha. Esse mistério que expele de minhas pulpílas. Chove interesse em mim. Encharco e tremo quando desagrado e temo quando há agrado. E ganho poesias, cartas, canções, doces, flores e corações, tanto por tão pouco, por nada. Por eu-miséria.
3,5
Pois nada sou, até que de pé possa estar quando achada a sintonia entre cores e palavras reais.
Pois miserável sou, até que mutile de mim o 'Tenho, logo não quero mais'.
BUM!

2 comentários:

Rodrigo Nazca disse...

até que mutile de mim o "tenho, logo, não quero mais"...

e o já passado sabor de impossível...

Rodrigo Nazca disse...

já eu vou conversar