10 de set de 2009

Veja, (Consegues?)


Íntima é a alegria de estar ausente e distante. É imcompravel o sabor da certeza de que quando eu chegar, poderei entrar, questionar seus contornos e bagunçar tudo, decorando à meu estilo a fragilidade de seus absolutos.

Estou fixa no cinza, só ele me absorve tão serenamente. Cor duvidosa, embaçada e cansada, tal como o paisagismo de minha alma e ontem defini que paisagismo é a doença da paisagem, sim!
Imensa, paradoxal e leve é a satisfação distorcida de que seja como, onde, quando ou para quem for, se esperada ou por acaso, eu chego. Chego rendando as tempestades. Ah, são tantas águas a me carregar, de rumos e velocidades opostas... eu disperso, boio e quase sempre estou em mim a boiar. Resumo a vida apenas no equilibrar.

Em meus dedos há correntes e em minha língua arame farpado. Falo e escrevo muito, muito mais eu calo. Calando nem por medo, nem fraqueza, nem...
Calo pois a descoberta do enredo acaba por minimizar o espetáculo. Minhas cortinas estão fechadas e felizmente as tomates ainda me atingem a face, pois dentro do que sou pouco merece aplausos, e esse pouco eu minto.
É como contar a um cego sobre janelas e o que há através delas. Ele ouve atento e curioso, não obstante, logo entristece, angustia e desespera. Pois no fundo, tudo é rasa imaginação.

3 comentários:

Rodrigo Nazca disse...

angustiante como tentar montar um quebra-cabeça de 3 mil peças...

só porque eu procuro em cada pedaço difuso de cores desconexas de papelão os segredos que encaixam e me mostrarão o todo, a 'paisagem' ou a 'miragem'...

Rodrigo Nazca disse...

o que houve com as fitas isolantes?

Fernandes disse...

Essa foto foi antes...