21 de out de 2009

Havia um silêncio...

Nela...
Ventos encaixavam-se na partitura da música cavada que balançava seus jardins de árvores magras, secas e folhas caídas que faziam pliê e flores que despetalavam em bem-me-quer, mal-me-quer e o céu acinzentava de nuvens escuras e carregadas que choviam palavrinhas aguadas pra serem lidas e nunca, nunca mesmo ditas ou reveladas. Tudo isso gracioso, ágil, convicto e instantâneo como o bater de asas de uma borboleta capturada. Disses me disse, promessas, quereres inúteis e insaciáveis perseguições de pele. Comprimentos mortais, despedida de toda vida, vem e vai, denserola e enrola meu novelo. Passado o passado de dias quentes e noites enloquentes; Suas e minhas cores, cabeça esquecida, olhos no corpo, pêlo com pêlo, seio com seio, língua geográfica acompanhada de palavras gastas, trapos da fala usado tantas vezes que não minhas, sua coxa na minha que ia e vinha, desenrola e enrola meu novelo com as mãos tremulas e tensas. Tudo isso gracioso, ágil, convicto e instantâneo como o bater de asas de uma borboleta capturada.

4 comentários:

Rodrigo Nazca disse...

bonito.

Functional Electronic Humanoid disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Functional Electronic Humanoid disse...

A borboleta bate as asas...
(mas, nao quer fujir...)



(no comentário a cima eu tinha escrito ''asar''("asas"). Ignore.)

Nikku disse...

Ventos e folhas... Para nunca mais serem lembrados.

(nunca).


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