2 de dez de 2009

Rasgo

Eu, cheia,
Quase explodindo,
Vagando,
Ebulindo contradição.
Fixa,
Vociferando,
Calculando,
Escrachando o contido
Sorrindo.
E rio,
Riso traído,
Hirto
E frio.
Grito!
Gritarei veloz,
Sorrateiro
Ecoante,
Centralizado,
Profundo
Rasgo entre nós.
Fico aqui
E lá,
E vou,
Imediata,
Arrastada,
dilacerada,
Mutilada
MU
TI
LA
DA.
E fui
Hipocrizando,
Retardando,
Escorando em iscas...
Ainda querendo ficar.

Temo que somente as carnes fossem desejadas,
e nossas cores? E nossos...? E nós?
Sou faminta sim! Amo a bunda dele, os seios dela...
Estou faminta sim!, mas a fome que me devora é a de olhinhos de coisa boa.
Eu temo estar temendo com razão.

Um comentário:

M. disse...

Encharcados de líbido!
Eu poderia responder a todas as perguntas com essa frase. Ou talvez não (por agora).
Fugimos tanto, nos escorremos pelos dedos tantas vezes, nesses intervalos quase desesperadores. Quase?
Pois é, sinto falta dos olhinhos de coisa boa e das sensações de prazer inocente que encontrava na presença dos meus dois amores, as mãos sobre o corpo, os sorrisos sem fim, a boca que quase não calava e uma paz que fitava o ambiente de uma forma sem igual, deixava minhas pernas bambas, sem força pra ir embora.
(Intervalo)
Mutilada também estou. Há uma força que me divide em dois pedaços de carne. O pedaço onde tem coração você sabe pra onde vai... Você sabe. O membro inibido perde a euforia dos tempos antigos em que era recolhido sobre paredes. Por sorte os seios vão junto ao coração. Eles podem servir de enfeite agora, mas ainda sim serão de seu agrado.
(Intervalo)
Após esse último intervalo tudo voltará unido naquele quebra-cabeça, as peças firmes voltarão intactas, os que realmente quiserem voltarão. Comecei a montar, primeira peça. Primeira pétala.