15 de jun de 2010

Cria

Vento frio
Corpo febrio
Onde estou?
Eu sempre ouço aqui
e respiro lá.
Tanto vazio
Tanto desejo
Me desconheço
Me escondo
e ponho sobre teus ombros, os meus.
Resfriando
Querendo lhe dizer as rimas mudas
Dos meus olhos que você não soube ler
Dos meus ouvidos que voce não soube o que dizer
Foi o silêncio...
Dos beijos mudos que voce não soube calar
Das minhas vontades que você não pôde cessar
Dos meus olhos empoeirados
Que desvaneciam
Clamavam motivos
Explicações tão obvias
Tão cegas aos meus olhos
que passei sem notar.
Então, anotei no vento tudo aquilo que
modelei pra nós.
Tudo aquilo que era tão nada...
Todos os vazios
Todos os versos ôcos
Ultrapassando o prazer.
O gosto ainda é fresco em meus lábios
O toque ainda é quente
e os instantes são crucias.
Cada segundo do meu relógio de ontem
experimentava inutilmente tentar permanecer
Morar num peito vagal
Que não sustenta nada, nem ninguém.
E se eu disser que tudo foi inocente
e puro (?)
Seu olhos voltariam a sorrir ?
Ganharia suas palavras?
Algum novo perigo ?
Novas impossibilidades?
As vezes parece que sua dor mente, e permaneces assim, dormente.
As contradições tropeçavam em sua cabeça, arrebentavam seu peito
e doía.
De tanto ser ela mesma já estava doente.
Doença de si!
Doença de mim!
Sangue em meus olhos
Expandia tanto que já não cabia
Inflamava o grito e apertava o nó na garganta seca
Espremia os orgãos e acorrentava os sentimentos
Corroia o pensamento
Veloz
Por entre curvas e penhascos
E caía
Mas ainda pulsava.
Eu, assassina de mim mesma!
Eu, provando de mim mesma!


Às 3 da madrugada, por Lilla e Alala.

2 comentários:

Alala disse...

Ela sabe brincar.

Functional Electronic Humanoid disse...

Não consigo parar de ler...
Ficou muito lindo.

(Sim. Estou de volta)